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Narrativa de Renê
Corrêa Guimarães |

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A
figura acima apresenta onze brasões reconhecidos como
pertencentes aos diversos ramos dos 'CORREA' ou 'CORREIA' em Portugal e na
Espanha. |
A história
documentada dos meus ancestrais do ramo dos CORRÊA
indica que a família tem sua origem em Portugal.
O
documento mais antigo que encontrei, até esta data, é o Batismo de JOAM LEITE DE SOUZA, meu TETRA AVÔ , nascido em 18 de
julho de 1782, na localidade de ARIOZA em São Miguel do
Souto. Era
filho de JOSÉ LEITE DE SOUZA e JOANA MARIA DE ASSUMPÇÃO, neto
paterno de DOMINGOS LEITE DE SOUZA e JOANA MARIA e
materno de JOSÉ FRANCISCO DE ASSUMPÇÃO e ISABEL FRANCISCA.
Nos
anos finais do século 19, em função dos crescentes
problemas sociais provocados pela industrialização na
Europa, e o aumento do fluxo de pessoas em direção às
concentrações urbanas, crescia mais e mais o êxodo dos
europeus em direção às Américas. Foi nessa época que ADÃO CORRÊA,
meu avô, chegou no Brasil.
Adão
Corrêa
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Meu avô paterno em fotografias
dos anos 1920.
À esquerda diante da igreja de Fernando
Prestes - SP.
Abaixo foto também tirada em
Fernando Prestes onde estão da esquerda para direita meu avô,
meu tio Bento, um ambulante e meu pai, durante obras que meu avô
executou para a Prefeitura local. À direita Adão em detalhe
ampliado. |
ADÃO CORRÊA nasceu em PORTUGAL, em
São Miguel de Leça da Palmeira - atual Leça da Palmeira
- PORTO, no
ano de 1880. Era filho de NARCISO CORRÊA, que nasceu na
Freguesia
de Pedome
então São Pedro do Pedome,
Concelho
de Vila Nova de Famalicão
- e de MARGARIDA
GOMES DE JESUS, nascida em Badoucos - São Miguel do Souto, Concelho de
Santa Maria da Feira.
Era neto paterno de ANTONIO CORRÊA e JOANA
MARIA MACHADO BRANDÃO (de Lordelo - Guimarães), e neto
materno de JOSÉ FRANCISCO e MARIANNA DE OLIVEIRA GOMES
(ambos de Tarei - São Miguel do Souto).
Adão tinha quatro
irmãos: ADOLFO, ANNA, MANUEL, IDALINA, JOÃO ELISIO e JOAQUINA, todos nascidos em São Miguel
de Leça da Palmeira.
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ADÃO chegou ao
Brasil a bordo do Vapor CONGO, tendo desembarcado no Rio de Janeiro
em 08/02/1892. Tinha então apenas 11 anos de idade e não consta
estar em companhia de qualquer adulto. Nas listas de embarque e
desembarque consta logo acima do nome de Adão o nome de um outro
menino de 13 anos - ANTONIO DA SILVA BAPTISTA - também
desacompanhado. Acredito que sejam parentes e viajavam juntos uma
vez que Antonio consta como procedente do Conselho de Santa Maria da
Feira, onde nasceu a mãe de Adão.
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Como documentos oficiais em Portugal informam que em 1897, seu irmão
ADOLFO CORRÊA e seu primo ANTONIO DE SOUZA, filho de LEONARDO DE SOUZA e
MARIANNA GOMES DE JESUS, já estavam no Brasil, e o passaporte de Adolfo
emitido em 1888 indicava como destino o Rio de Janeiro, é possível que
este o esperasse no porto. Contudo, não há nenhum registro da presença
no Brasil de Adolfo ou seu primo. O próximo registro da presença de Adão
no Brasil ocorre mais de dez anos após seu desembarque no Rio de Janeiro
e acontece na região de Porto Ferreira / Casa Branca / Santa Cruz das
Palmeiras, no Estado de São Paulo, onde viveu por muitos anos.
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No Brasil ADÃO incorporou o sobrenome GUIMARÃES ao
CORRÊA. Isso foi constatado através da sua certidão de
nascimento obtida em Leça da Palmeira onde consta que seu sobrenome, assim como o de seu
pai seu avô e bisavô era CORRÊA.
Naqueles tempos, esse era um costume comum aos
portugueses, sendo que algumas vezes adotavam os nomes dos
padrinhos de batismo ou de outros parentes. Como sua avó paterna
era da cidade de Guimarães, acredito que tenha desejado
homenagea-la. |
Foi em Porto
Ferreira, quando trabalhava na fazenda de Alcides Cardoso que Adão conheceu CONCETTA ROSA, filha de
Feliciano Rosa e Santa Carrera, imigrantes italianos. Adão e Concetta casaram-se em 07/02/1902,
na cidade de Porto Ferreira, onde nasceu o primeiro filho do casal. Logo
mudaram-se para a vizinha cidade
de Santa Cruz das Palmeiras deslocando-se posteriormente para
Guariba - 1918 - e depois para a região de Taquaritinga - 1921.
Nessas localidades o casal teve oito filhos:
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NARCISO |
Porto Ferreira |
1904 |
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MANUEL |
Santa Cruz das Palmeiras |
1907 |
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CANDIDO |
Santa Cruz das Palmeiras |
1910 |
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MARGARIDA |
Santa Cruz das Palmeiras |
1912 |
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NATI MORTO |
Santa Cruz das Palmeiras |
1914 |
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ANA ROSA |
Santa Cruz das Palmeiras |
1915 |
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MERCEDES |
Guariba |
1918 |
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LUIZ NARCISO |
Taquaritinga |
1921 |
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ANTONIO |
Taquaritinga |
1923 |
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Concetta e Adão - 1905 |
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Foto
encontrada emoldurada entre os pertences de Adão.
Com base na composição acima - Concetta e Adão -
tudo faz crer que seja Adão com cerca de 17 anos. |
Candido nos anos 1920 |
Em Taquaritinga,
mais precisamente em Jurupema, no ano de 1931, com apenas 51 anos, Adão veio a falecer
vitima de um colapso cardíaco fulminante quando, após haver jantado
carregava sacas de café, que se encontravam a céu aberto, para
protegê-las de uma chuva repentina.
Com a
morte do meu avô, minha avó Concetta, ainda com
filhos pequenos, não teve
outra alternativa que pedir ajuda aos filhos.
Como seu filho mais velho, MANUEL, já estava casado
e morava em São Paulo meus pais - CANDIDO e BEMVINDA
- foram viver com ela e os filhos, por algum tempo,
para ajudar no sítio em que estavam.
Depois de
saírem do sitio meus pais moraram em cidades da
região com meu pai trabalhando como pedreiro em
diversas fazendas e fazendo uma das coisas que mais
gostava: tocar violino - instrumento que ganhou de
seu pai quando tinha 15 anos. Nesse período nasceram meus
irmãos CECÍLIA - 1933 - ROBERTO - 1936 - ambos em Mirassol, e RUBENS - 1938 - em Poloni - SP.
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Candido no Chôro de Poloni - 1938 |
Com o início da segunda grande guerra o serviço
começou a reduzir-se pelo interior e depois, com a
entrada do Brasil na guerra, a situação ficou
insustentável. Foi então que resolveram mudar-se
para São Paulo, incentivados pelo meu tio Manoel que
lá morava.
Sem nenhum recurso financeiro disponível, meu pai teve de vender seu
estimado violino por '200 mil réis' e vieram para a cidade de São Paulo.
Por alguns meses moraram com meu tio Manuel e logo se mudarem
para
uma casa que alugaram na então Estrada de Itaquera
(hoje Av. Conselheiro Carrão) na Vila Califórnia.
Era 1942.
Algum tempo depois, minha avó Concetta e seus
filhos ainda solteiros - LUIZ NARCISO, ANTONIO e ANA
- vieram para São Paulo indo morar em nossa casa.
Minha tia ANA, que apresentava deficit intelectual,
teve de ser internada numa instituição apropriada
pois eles não conseguiam assisti-la adequadamente.
Na casa
da Av. Itaquera, CANDIDO e BEMVINDA
tiveram mais dois filhos: RAIMUNDO em 1946 -
natimorto - e eu RENÉ em 1947.
Nessa casa, apesar de muito pequena, moramos todos
até 1950, quando então meu pai adquiriu um terreno
na Rua Juno, alguns quilômetros adiante de onde
morávamos, onde construiu uma casa maior para onde
nos mudamos em 1951.
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Eu e meus
pais - 1952 |
Foi na casa da Rua Juno que, por volta de 1953,
vieram
morar conosco minha outra avó, Angela Libralon,
trazendo consigo a filha Maria Adélia e Luiz
Antonio menino que ela criou desde os seis meses de idade e
que estava com 10 anos.
Moravam então na Rua Juno (Rua 9 naquele tempo) :
meus pais e filhos, minhas duas avós mais seus
filhos solteiros, num total de 12 pessoas.
Naquela casa eu morei até
fevereiro de 1969.
Do
irmão do meu avô, Adolfo Correa e de seu primo Antonio de Souza, nunca
tivemos qualquer notícia. Nem mesmo meu avô falou qualquer coisa
sobre eles.
Contudo, tenho esperanças de que ainda conseguiremos saber algo sobre os
dois, talvez através de uma
pesquisa nos cartórios de Porto Ferreira e cidades vizinhas.
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Pesquisa e narrativa de Renê
Corrêa Guimarães |
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